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Conheça as diferenças entre Truco, Truco Paulista e Truco Mineiro

Truco

Ah, o Truco. O verdadeiro esporte do universitário brasileiro. Meio de aproximação entre os primos. Praticado em todos os botecos do nosso vasto país. Existem tantas mesas de Truco quanto formas de jogá-lo. Vamos aprender um pouco mais sobre as variedades do jogo de baralho que é a cara do Brasil.

O Truco

O Truco é um jogo intenso e rápido, descendente do espanhol Truc. É fácil perceber isso no gesto quase inconsciente do truqueiro veterano ao descartar as cartas 8, 9 e 10 e os coringas. Por que ele faz isso? Porque no Brasil é comum o comércio do baralho francês (de 52 cartas mais dois coringas), mas o Truco se joga com o baralho espanhol, muitas versões do qual tem apenas 40 cartas (numeradas de 1 a 10, incluindo as figuras). Como é difícil encontrar um baralho espanhol para vender, precisamos fazer o descarte. Ainda bem que não é contrário…

Por sua abrangência e idade, o Truco tem centenas de variações. Desconhecemos uma organização ou campeonato de prestígio semelhante à World Series of Poker para apresentar uma versão “oficial” das regras. Oferecemos para você jogar gratuitamente uma versão que está próxima do que é provavelmente a mais jogada no Brasil, o Truco Paulista.

Antes de partirmos para o Truco Paulista e sua contraparte mineira, vale uma menção ao Truco Gaudério (ou Gaúcho). Nesta variedade derivada do truco argentino, o jogador com três cartas do mesmo naipe na mão (ou blefando, claro) pode pedir “flor” para ganhar a rodada automaticamente. A dupla adversária pode pedir “contra-flor” para dobrar a aposta.

O Truco Paulista

Até por ser a do estado mais populoso, é a variedade mais jogada no Brasil. Tem a imensa vantagem de contar com uma federação organizada com regulamento oficial, fixado em 1983. O complexo conjunto de regras determina três sistemas de jogo, dois dos quais têm restrições até no modo de distribuição de cartas. O carteador não pode atuar como no pôquer: ele deve dar as cartas de três em três. Nos campeonatos também não é permitido falar (!), o que acreditamos que tiraria quase toda a graça das partidas entre amigos ou rivais de faculdade.

É parte fundamental do Truco paulista a variação das Manilhas (cartas mais fortes) em cada mão. Para esclarecimento: “mão” é como chamamos a rodada na qual cada dupla recebe três cartas. Cada “mão” é disputada em até três “vazas”, que são as disputas dentro de cada mão.

No Truco paulista, após a distribuição de três cartas para cada jogador, a carta no topo do baralho é virada com a face para cima. Essa carta, chamada de “Vira”, define as Manilhas. Serão Manilhas as cartas imediatamente seguintes, valendo a ordem:

4 < 5 < 6  < 7 < Q < J < K < A <  2 < 3

Se a “Vira” for um 3, os 4 é que serão Manilhas. Se a “Vira” for um 4, os 5 serão Manilhas, e assim por diante.

Como existem quatro Manilhas de cada naipe, eles também importam para saber se uma Manilha bate outra. Essa ordem não varia: ouros < espadas < copas < paus.

Truco Mineiro

Desde a cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, em 1720, nunca houve diferença tão profunda entre paulistas e mineiros quanto no modo de jogar truco. Há dois contrastes mais importantes: as manilhas fixas e a contagem de pontos.

No Truco Mineiro não existe Vira. As quatro cartas mais fortes são sempre (em ordem decrescente) o quatro de paus (ou “Zap”), o sete de copas, o às de espadas (“Espadilha”) e o sete de ouros. De resto também vale o 4 < 5 < 6  < 7 < Q < J < K < A <  2 < 3. Os 4 de copas, ouros e espadas, portanto, são sempre as cartas mais fracas.

Em segundo lugar, os mineiros têm um sistema diferente de contar pontos. A partida comum não vale 1 ponto, e sim 2. O “truco” vale 4 em vez de 3, e o “seis” vale oito. Mesmo com essa aparente contradição, o jogador mineiro ainda grita “seis” ou até “mêi mí” (“meio milho”) ou “meia vara. E o doze? O doze é doze “mêmo”, uai…

E aí, deu vontade de jogar Truco? Mate-a agora, de graça!

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